segunda-feira, 14 de julho de 2014

A Velha Questão Palestina


Oi, pessoal, tudo beleza?
Como eu já havia dito, agora que acabou a Copa, assunto aliás que renderá uma série de posts, tanto sobre campo e bola como de outros assuntos, por aqui, volto à atividade normal do blog.
Para marcar essa retomada, que tal falarmos um pouco dessa nova escalada de violência entre israelenses e palestinos? Assunto que há anos vêm tomando conta das mentes mais preocupadas do mundo, em amplos aspectos.
Para começo de conversa, eu não gosto quando usam a expressão “judeus vs. palestinos”, há pra mim ai um problema semântico, afinal os judeus de hoje não formam um povo, formam sim uma cultura e uma religião. Qualquer tentativa de ligar as pessoas que vivem em Israel hoje com o antigo povo hebreu é uma falácia sem tamanho.

Como sabemos, aquele antigo povo hebreu teve que emigrar para diversos pontos do globo (Rússia, leste europeu, Etiópia, etc.) e acabou se mesclando com os mais diversos povos e formando, assim, novos povos. Para isso, basta comparar o idioma falado pelos judeus russos, o iídiche, com o dos judeus árabes/palestinos, o hebreu. Sobre esse aspecto, é bom lembrar que o hebreu foi uma língua mais ou menos inventada a partir de textos da Torá para que o então nascente Estado de Israel pudesse ter uma identidade cultural.
A grande questão entre israelenses e palestinos é histórica e geográfica, passando por diversos pontos, até com ecos do antigo imperialismo europeu pré-Primeira Guerra Mundial. É sempre bom lembrar que os britânicos sempre apoiaram a causa árabe/palestina e os estadunidenses sempre apoiaram os judeus (por tempo, quase um terço do eleitorado regular dos EUA é judeu, o que tem um grande impacto em qualquer decisão pró-Israel). E ainda contém ecos da Guerra Fria, os soviéticos apoiavam os palestinos.
Eu, particularmente, não sou contra o estado de Israel, sou contra o genocídio e o massacre que esse estado vem fazendo desde sua gênese, quebrando diversas leis internacionais. Basta lembrar das prisões, julgamentos e execuções de antigos nazistas em países sem ao menos tratar da extradição desses. Basta ver o filme Munique para entender como o Mossad trabalha.
Na minha modesta opinião, deveria haver um estado de Israel sem a diferenciação entre judeus e mulçumanos, que é o cerne da questão. A maior parte da população israelense, mesmo entre os judeus, é de origem árabe, os chamados sabbra, portanto não são árabes contra judeus, se trata ainda da velha questão religiosa voltando com tudo. A simples solução seria um estado laico, e ponto, grande parte dos problemas estaria reduzida. É impressionante como Jerusalém consegue despertar o ódio nas pessoas, tanto em sua defesa quanto naqueles que a querem tomar.
É preciso lembrar, para encerar, que os israelenses detêm boa parte das terras férteis, das terras cultiváveis e os acessos à agua doce da região da Palestina. Dessa forma constatamos um estado moderno, aparentemente democrático e rico, com bons índices de desenvolvimento humano, enquanto do outro lado temos um estado pobre, com índices sociais alarmantes.

Temos, nesse delicado enclave entre Ocidente e Oriente, entre nós e eles, uma das últimas fronteiras do imperialismo territorialista e da Guerra Fria no mundo. Uma lástima, para as vítimas de ambos os lados, que pensam lutar uma guerra. Isso não é uma guerra, é pura selvageria.